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FRANCISCO LUÍS GOMES

Francisco Luís Gomes, nasceu a 17 de Maio de 1829 em Navelim, concelho de Salcete, Goa, antigo Estado da Índia. Depois de terminados os estudos secundários, matriculou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Goa, onde completou com distinção o curso de medicina, sendo de imediato convidado para lente substituto auxiliar.

O seu elevado altruísmo e espírito abnegado impulsionam-o a ingressar no corpo médico do Exército chegando a ocupar o lugar de cirurgião-mor da praça de Diu; serve como cirurgião militar nas campanhas de Satarí, onde pelos relevantes serviços prestados é agraciado com a Ordem Militar de Cristo.

Em 1861 quando ainda era cirurgião-ajudante de exército, foi eleito por unanimidade dos seus conterrâneos de Salcete e Canácona deputado às Cortes em representação da Índia Portuguesa onde tornou-se um paladino ardente das liberdades da sua terra natal

Era um orador brilhante, escritor notável, historiador e sábio economista; era conhecido e apreciado tanto em Portugal como na França e Inglaterra.

Foi muito apreciado pela sua política económica por Michael Chevalier e Lamartine que eram os grandes cientistas daquela época e em Londres teve como admirador e grande amigo o célebre economista J. Stuart Mill.

O seu livro "Essay sur L’Economie Politique Dans ses Rapport Avec le Droit et la Morale" é um estudo científico que foi muito apreciado pelos economistas atrás citados.

Na França era muito conhecido na Academia Económica-Política e o seu nome figurava entre os únicos quatro estrangeiros – Stuart Mill, Cobdem, Mongbeti e Gladstone.

Na Bélgica a Universidade de Louvain conferiu-lhe o grau de Doutor "Honoris Causa" nas ciências Políticas e Sociais; em 1869 foi eleito membro da Sociedade Económica de Cadiz.

Como historiador conscencioso e imparcial a sua obra "Le Marquis de Pombal" publicada em 1869 foi elogiada e considerada como um trabalho de grande valor e contribuiu para a consagração de Francisco Luís Gomes como historiador e biógrafo. Entre diversos livros que escreveu podemos destacar os "De la question du cotton en Inglater et dans les possessions portugaises de Afrique Ocidentale", "A Liberdade da Terra e a Economia Rural da Índia Portuguesa", e o romance "Os Bramanes" por muitos considerado como sua obra-prima.

Em 1863 publicou o ensaio histórico "Os Brigadeiros Henrique Carlos Henriques e Joaquim Xavier Henriques" que é um livro de grande interesse devido ao elevado número de elementos e a numerosa documentação que fornece sobre a história de Goa no século XVIII e princípios de XIX.

Como escritor foi colaborador do "Boletim do Governo", "Ultramar" e Defensor da Verdade" publicados em Goa e na "Gazeta de Portugal", "Archivo Pitoresco", "Revolução de Setembro" e "Diário Popular" publicados em Lisboa. Foi correspondente do jornal "La Prensse" e da revista "Deux Mondes" de Paris e do "Le Moniteur Belge" de Bruxelas.

Faleceu em 30 de Setembro de 1869 em pleno mar Mediterrâneo a bordo do navio que o transportava de regresso a Goa onde iria desempenhar as funções de Inspector das Escolas.

Alusões comoventes foram-lhe feitas pelo poeta Tomás Ribeiro no seu livro "Jornadas"; o escritor Feliciano de Castilho citou-o como uma das mais fulgurantes estrelas da pléiade da literatura portuguesa.

Em homenagem aos relevantes serviços prestados a sua terra natal a Câmara Municipal de Ilhas - Goa erigiu no Campal na Cidade de Pangim uma estátua no jardim municipal que tem também o nome deste ilustre filho de Goa.

Monumento a Francisco Luís Gomes no Jardim Municipal do Campal